A MÚSICA É A MINHA GRANDE PAIXÃO

Dr. Smith é conhecido como o inventor do estilo African Vibe e um dos mais sonantes e promissores produtores musicais em Angola. Actualmente, é, além de produtor, o cantor que mais tem lançado e dinamizado esse estilo no mercado nacional. O membro da Produtora Power House – que, em 2017, lançou o seu primeiro álbum intitulado “African Vibe Vol. I” – é um artista nato que desde os 14 anos faz gravações e produz os seus próprios beats. O autor de grandes sucessos, como a música “Mulher do Mato”, está a agora em fase promocional do seu mais recente single “Bungle Bang”.

FM Afro – Decidiste te desafiar e começar a cantar?

Doutor Smith – Antes de começar na área de produção, eu já cantava Rap, mas não tinha ainda a capacidade de desenvolver-me, então, houve a necessidade de me prender só na produção.

FM Afro – Como o teu talento enquanto cantor foi reconhecido?

D. S. –  Produzi vários sucessos na Power House como o “Dancée”, do Cabo Snoop; o “Txuna Baby”, dos Powers Boys e muitos outros. Fiz uma produção para o Cabo Snoop, o I.V.M ouviu e gostou bastante e reconheceu o meu talento. Tão logo o Cabo Snoop precisou de uma participação musical, lembrou-se de que o seu produtor [I.V.M] havia reconhecido o meu talento, então solicitou-me para uma colaboração.

FM Afro – Entre as tuas colaborações está o nome da Liriany Castro. Como é que correu esta parceria?

D. S. – Quando a Liriany foi ao estúdio, reconheceu que gostaria de fazer um trabalho comigo, na minha vertente que é o African Vibe e Afrobeat. Acertamos, escrevi a música, fiz a produção da mesma e mandei para ela. Ela gostou bastante.

FM Afro –  Foi fácil trabalhar  a música “Na Posição” que cantaste com a Liriany?

D. S. –  A princípio foi um desafio para ela, uma vez que não é a vibe que ela faz. Graças a Deus, correu super fixe, o video clipe dessa música contou com uma produção do Hochi-Fu. É uma das músicas com mais visualizações (65 mil visualizações) na minha carreira artística. Gosto muito dessa música.

FM Afro –  Nesta ideia de colaborares com a Liriany, de quem foi a iniciativa?

D. S.   A partir do momento que mostrou-se disponível, eu aproveitei a oportunidade de fazer esta música com ela.

FM Afro – Os vossos laços perduram até hoje?

D. S. – Sim, sim. É uma cantora que respeito e admiro muito, e as músicas dela também.

FM Afro – Tu és uma pessoa de aproveitar as oportunidades?

D. S. – Já deixei passar algumas, acho que toda história de vida tem disso. Às vezes, pela imperfeição que todo o ser humano carrega, tem oportunidades que surgem e a gente não presta muita atenção ou não valoriza na altura, mas essa, eu não deixei passar. Foi uma grande oportunidade.

FM Afro – Qual é a história da música “Bungle Bang”?

D. S. – É uma música baseada num facto verídico e acredito que acontece com muita gente. Muitas das vezes quando se marca um compromisso, as pessoas não são realistas em dizer que não vão poder aparecer e inventam um monte de desculpas. Essa música retrata mais ou menos isso.

FM Afro – E a “N´tsunga”, qual é o significado desta música?

D. S. – “N ‘tsunga” significa agradável, é uma palavra na língua Kikongo.

FM Afro – Tens uma apreciação pelas línguas nacionais?

D. S. – Sim, como africano que sou, para mim é muito importante valorizá-las e nas minhas músicas, sempre introduzo aquilo que é a nossa cultura, o que tem a ver com as nossas línguas nacionais.

FM Afro – A música “Vem Dançar”, dos The Twins, foi um grande sucesso. Como é que correu a produção?

D. S. – É uma produção minha que foi lançada em 2015. Eu tinha feito esta música para a Djamila Delves. Na altura, ela queria duas músicas, uma em Lingala e outra em Português. Era um sonho dela cantar em Lingala, então aproveitou para cantar, deixou essa de lado.

FM Afro – Tu ainda estás ligado à Produtora Power House?

D. S. – Estou ligado sim. Não propriamente como um artista agenciado, mas como família e um dos responsáveis pela Power House.

FM Afro – Quais são as tuas inspirações musicais dentro e fora de Angola?

D. S. –  Aqui em Angola, é o Walter Ananaz, já trabalhei com ele. Entretanto, eu respeito  todos os artistas do nosso mercado nacional. Me inspiro neles, porque é sempre bom bebermos de tudo um pouco. Acho importante bebermos de todos os estilos, desde o Kuduro, Semba à Kizomba. É importante adquirir alguma experiência e inovar cada vez mais, até porque a música é uma arte dinâmica, temos que beber de várias vertentes.

FM Afro – Qual foi a música que fizeste com o Walter Ananaz?

D. S. – Fiz várias músicas como a “Tá Me Dar Medo”, que contou também com a participação do Nicol Ananaz; a música “Everybody Dance”, também com o Nicol. Olha, são muitas.

FM Afro – E quais são as tuas inspirações musicais fora de Angola?

D. S. – O músico Fally Ipupa, o Wizkid, o Rema, os P-Square. Fora de África, acho que todos acabam por ser uma inspiração para mim.

FM Afro – Tens alguma colaboração que esteja para acontecer brevemente?

D. S. –  Brevemente, não. Desenvolvi-me um bocadinho mais, e penso que fazer música com muitas participações de outros torna-se meio complicado para a carreira de um artista, porque acabas por ter a imagem de um artista só de participações.

FM Afro – É um receio muito comum aqui. Por quê?

D. S. –  Porque, no nosso mercado, a melhor forma de bater é cantando a solo. Se formos a ver, a maior parte dos artistas que vieram e deram aquele boom, vieram sozinhos. Dentre eles o Filho do Zua, o Cabo Snoop, o Cleiton M, o Balison BCC, Os Detroia. Depois de se atingir o nível de artista a solo, aí sim, podem vir as colaborações.

FM Afro – Tu te dedicas exclusivamente à música? É a tua única fonte de renda?

D. S. – Não, mas é onde eu gasto mais energia, a música é a minha grande paixão. Sou um funcionário público. Como músico, também sou um funcionário público, até porque existe o Ministério da Cultura, no qual todos os músicos, ou uma boa parte deles está. E nós trabalhamos para o país, pela cultura, mas como funcionário público, não uso muito minha massa cinzenta, mas já na música tu tens que criar, tu tens que inventar, tu tens que inovar.

FM Afro – Qual será o seu foco para os próximos dias?

D. S. – Disponibilizar a minha música “Bungle Bang”, vou fazer isso.

FM Afro – Qual é a tua relação com as redes sociais?

D. S. – É muito boa. Acho que todo o artista tinha de ter alguém para gerenciar as suas redes sociais. Por exemplo, muitas vezes, eu, como artista e produtor, recebo várias solicitações, e tem sido muito difícil gerir. Mas tem sido boa, graças a Deus. Uso mais as redes sociais para poder partilhar os meus trabalhos como produções, vídeos, momentos em palco e shows. Não partilho aquilo que é particular como a família.

FM Afro – Habitualmente no nosso programa “África no Coração”, temos a nossa pergunta do dia. A de hoje é: os vizinhos podem bater no filhos alheios?

D. S. – Eu acho que educar não é apenas uma responsabilidade dos pais, é da sociedade no geral. Acredito que, se bater por uma razão que o filho cometeu e não bater de agressão física, de machucar e tal, mas um puxão de orelha ou umas palmadas, sim. 

FM Afro – Se um vizinho batesse no teu filho não te incomodava de todo?

D. S. – Não, desde que o motivo justificasse. Porque se ficarmos com posição de que só nós é quem temos de educar os nossos filhos, complica. Os nossos filhos vão crescer e vão se deparar com várias situações na sociedade, é importante que eles saibam que mais velho é mais velho e que não é só o pai, a mãe ou o irmão, mas que, na rua, devem respeitar e quando saírem um pouco da linha, a sociedade tem esse papel.

FM Afro – Costumas acompanhar a programação da FM AFRO? Qual é a tua opinião sobre este projecto?

D. S. – Costumo sim. Considero uma Rádio do futuro, muito dinâmica e com uma visão muito diferente das outras, desde as músicas que são tocadas com bastante qualidade e não só. Considero uma Rádio muito clássica, é Top.

FM Afro – O que é que tu deixaste de fazer para estar aqui hoje?

D. S. – Sinceramente, programei o dia para estar aqui. É com enorme prazer que eu estou aqui e gostaria de poder voltar aqui mais vezes.

FM Afro – E o que é que tu vais fazer quando saíres daqui?

D. S. – Quando eu sair daqui vou estranhar um pouco. É com enorme prazer que eu estou aqui. Eu sei que é uma Rádio com muita audiência. Sei que neste exacto momento, a mensagem está a ser passada, e que, quando eu sair daqui, serei uma pessoa totalmente diferente.

FM Afro – Tens alguma mensagem que queiras deixar aos nossos ouvintes?

D. S. – Que continuem sintonizados à FM AFRO. É uma Rádio que veio para ficar, o pessoal tem de continuar a acompanhar.

Entrevista [ 03 de Agosto ]: Mário Santos
Programa: Manhã Afro

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